domingo, maio 22, 2005

Medicina em Portugal

A medicina em Portugal é um fenómeno capaz de arrasar salas com estrondosas gargalhadas, qual história de stand up comedy.

Embora sejamos um país dito desenvolvido, o número de médicos por cada mil habitantes tem vindo a decrescer, ao contrário do que será previsto no âmbito de um desenvolvimento com intuito de melhoria das condições de vida e de uma sociedade de sustentabilidade.
Este facto tem vindo a suceder pois, para ser médico no nosso país não basta ter vocação e alguns conhecimentos, não! Para se poder tentar o curso de medicina que são à priori 6 anos, o indivíduo que pretende fazê-lo, nos três anos que antecedem a entrada na faculdade deve: despedir-se da família, dos amigos, das noites que nunca chegou a viver, e de uma vida saudável do ponto de vista físico, as sobretudo do ponto de vista psicológico. Isto tudo porque a média ronda os 19 valores de uma escala que termina no 20….eu não sei, mas não será de mais? È que estamos a falar de média o que obriga os alunos a ter todas as notas acima do 18, queremos formar o quê médicos ou anormais, ou bichos domesticados e treinados que de humanos terão muito poucos quando atingirem o seu objectivo.
A história da medicina em Portugal torna-se ainda mais anedótica se tivermos em conta o facto de com tanta condicionante imposta, por supostamente assim se poder obter melhores médicos, se contratarem médicos estrangeiros que entram na faculdade com medias menores, e assim se força também os portugueses a irem estudar por exemplo para Espanha.

Bom, tenho andado a reflectir acerca de tudo isto, pois recentemente e contrariamente ao que é meu costume fui ao médico, e julgo na verdade ter conhecido um génio ou um louco! (louco está sublinhado porque é a hipótese a que dou mais créditos)
Quando cheguei à sala de espera, sentei-me e peguei numa revista preparando-me psicologicamente para uma espera longa e demorada. No entanto, e para surpresa minha, após cinco minutos de espera já tinham sido consultados aproximadamente três doentes… Estranhei, mas mantive-me concentrada na revista que, tal como qualquer revista das que tinha à escolha, era muito interessante mas demasiado para o local e circunstancia. Acabei por conseguir ler dois artigos acerca da qualidade da agua em Portugal, e só não li mais nenhum, pois 10 minutos após ter pegado na revista estava a ser chamada pelo médico. Ora, pelas minhas contas, o referido louco deve ter atendido 5 pacientes em 10 minutos…Eu não sei bem, mas acho que quem ali estava não pensou que aquilo fosse tipo caixa de supermercado ao fim-de-semana, ou seja a despachar!

Foi então que entrei no consultório o referido doutor disse qualquer coisa e eu disse: “Desculpe, mas na ouvi…!”, e ele respondeu: “Tava a falar para mim, deixa lá!”. De seguida perguntou-me ao que vinha, descrevi com pormenor o acelerar do coração seguido de perda de audição e visão desfocada, questionei se poderia estar relacionado com o stress ou até com o facto de ter tensões baixas.... Obtive como resposta um rompante de informação que nem percebi: “Ah isso é tudo (depois nome esquisito de um musculo que desconheço) e blabla blablabla…”
A minha resposta, após ter ficado de boca aberta foi: “Desculpe, importa-se de repetir, mas de forma a que eu possa perceber o que diz?”, ele respondeu “Ah, claro!” e prosseguiu “Epá isso é o musculo que dispara…”, e explicou tudo direitinho o que era e como se processava. Devo adiantar que as causas ficaram por apurar e vai continuar a ficar porque tão depressa não vou a médico nenhum. Mas o remédio dado pelo doutor foi muito bom, e passo a citar (peço desculpa não poder dar-vos as imagens dele a exemplificar, mas efectivamente não me é possível!!!): “Onde quer que estejas, na rua, num café, sozinha ou acompanhada, deitas-te no chão e dizes às pessoas que estás bem. De seguida levantas as pernas, mesmo que não tenhas nenhuma cadeira levantas assim (e exemplificava) para o ar e, em simultâneo tosses.”
Eu ri-me perdidamente e, quando ele terminou disse-lhe: “Pronto, ainda bem que é só isso!” ao que ele me respondeu: “Ouve, não ponhas o carro à frente dos bois, não te preocupes! Olha o Fehér não teve tempo para se preocupar!”. Eu respondi “Está-me a dizer que eu vou morrer por causa disto?”, ele “Não, até porque para morrer basta uma coisa, não é?”, respondi “É estar vivo, certo!”, ele riu-se e disse é isso mesmo!!!

A consulta não terminou por ali ainda outras situações caricatas se sucederam nos 7minutos que lá estive dentro, mas devo ter sido a paciente mais demorada que atendeu.
Assim está o estado da medicina em Portugal! Aguardo os vossos comentários àquele que eu chamaria um post sem comentários, porque eu não os consigo fazer!